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5ºEBBC Bibliometria e Cientometria na ECA-USP

Publicado em: 16/04/16

5eebc

5º Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria – Entrevista com Prof. Dr. Rogerio Mugnaini

Suelybcs oferecerá um Workshop neste evento: ORCID: precisamos de mais um ID?

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Este ano, a Universidade de São Paulo (USP) sedia pela primeira vez o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria em sua 5ª edição. O evento aconteceu de 06 a 08 de julho de 2016, em São Paulo, sob coordenação do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Comunicações e Artes da USP (PPGCI-ECA-USP).

Os estudos bibliométricos têm despertado cada vez mais o interesse da comunidade acadêmica, devido à utilidade em análises da produção científica, na prospecção de novos temas, pesquisas por áreas de conhecimento, entre outras aplicações.

Confira a entrevista realizada com o Professor Rogério Mugnaini da ECA/USP e Presidente da Comissão Organizadora do EBBC 2016 e saiba mais sobre Bibliometria e o evento.

SIBiUSP: O que é Bibliometria?

Rogerio Mugnaini: Diversas definições podem ser encontradas na literatura, mas pode-se simplificá-las apenas com “estatística(s) de bibliografia”. O termo “estatísticas” (plural) se refere  à descrição numérica dos aspectos quantitativos das coisas, ao passo que “estatística” (singular) remete à ciência/corpo de métodos para auxiliar a tomada de decisão diante da incerteza.  A Bibliometria então se aterá à análise quantitativa da produção científica, buscando responder às perguntas que se possa fazer sobre o desenvolvimento da ciência e fatores associados (sejam eles internos ou externos à mesma).

SIBiUSP:  Além da Bibliometria e Cientometria, existem outros tipos de estudos métricos, como a Webometria e a recente Altmetria. Você poderia esclarecer as diferenças entre esses componentes dos estudos métricos da informação?

Rogerio Mugnaini: Ainda não estou convencido da adequação do termo “estudos métricos”, e venho sempre questionando em bancas sua adoção acrítica, por alunos. Suspeito que ainda não pode ser encontrado (ou é muito pouco frequente) em inglês. Quanto à Cientometria, eu diria que diz respeito ao sistema que envolve a ciência, abarcando portanto os investimentos realizados (financeiro, recursos humanos), assim como políticas que a regulamentam, e ainda seus resultados (formação de alunos, inovação tecnológica e as descobertas científicas publicadas). Desta maneira nota-se que a Cientometria é mais ampla e abrange a Bibliometria.
Com o advento da web, estudos bibliométricos passaram a ser adaptados, consistindo da utilização dos links entre sites de forma análoga às citações entre documentos, demarcando assim a Webometria. Claramente o escopo de abrangência da Webometria extrapola a ciência, ocupando um espaço mais condizente com uma outra especialidade de estudo chamada Informetria (importante notar que Cientometria e Informetria dão o nome à sociedade internacional “ISSI” [International Society for Scientometrics and Informetrics] mais significativa da área, denotando a abrangência destas duas especialidades).
Já a Altmetria teve sua origem nas mídias sociais, e assim como a Webometria, extrapola o âmbito científico, mas tem a peculiaridade de “dar voz” ao usuário conectado em rede, captando seu acesso, trânsito, parecer.

SIBiUSP: Como você avalia a repercussão dos estudos métricos na comunidade acadêmica? Os resultados das pesquisas influenciam decisores (governos, agências financiadoras, dirigentes de universidades) da área? E no Brasil?

Rogerio Mugnaini: Em âmbito mundial, diversos indicadores vêm sendo adotados por governos e agências de fomento (normalmente indicadores de revistas, pesquisadores e instituições). Mais recentemente os rankings de universidade vêm sendo utilizados por universidade de diversos países.
No Brasil o Qualis é o exemplo de adoção de indicadores em maior escala, e a produção científica analisando o uso de indicadores pelo Qualis é expressiva, sinalizando que a comunidade científica que atenderá este evento vem contribuindo para a sinalização de caminhos de aprimoramento. Agências de fomento como a FAPESP vêm exigindo que os pesquisadores registrem-se em sistemas como Scholar Citation, Researcher ID, de modo a facilitar a observação de indicadores de produção científica por pareceristas ad hoc. Porém neste caso fica mais difícil de se avaliar o uso que tem sido feito dos mesmos. E quanto aos rankings de universidade, nota-se que os reitores de universidades brasileiras monitoram o posicionamento de suas universidades a cada ano, o que repercute em estratégias para melhora de performance no ranking, claramente evidenciados em esforços de internacionalização (neste aspecto deve-se considerar o surgimento do RUF [Ranking Universitário da Folha], da Folha de S. Paulo).

SIBiUSP: Como tem sido a atuação dos bibliotecários na seara dos estudos bibliométricos? Que competências são necessárias para lidar com indicadores, métricas, dados e análises? Os cursos de graduação em biblioteconomia e ciência da informação no Brasil já possuem disciplinas que preparam os profissionais para atuarem nessa área? 

Rogerio Mugnaini: Eu não teria informação fidedigna para mensurar a participação dos bibliotecários, mas posso dizer que, dentre os pesquisadores mais atuantes, a maioria tem graduação em Biblioteconomia (aliás, os grupos que tem se formado pelo Brasil são praticamente todos de cursos de Biblioteconomia). Estes fatos mostram que estes estudos não exigem formação em exatas, por outro lado uso o exemplo da área de Estatística, que disponibiliza diversos softwares que permitem ao usuário realizar análise, contudo nem sempre o software dá conta de problemas específicos não previstos por seu algoritmo (exigindo o olhar de um especialista). Voltando aos grupos, pode-se observar a crescente integração de pesquisadores das exatas, mas é importante frisar que estes especialistas, empreendendo análises bibliométricas serão significativamente enriquecidos com a experiência dos bibliotecários.
Sobre os cursos de graduação eu não saberia dizer, mas este é um belo tema de pesquisa para ser desenvolvido!
Algumas informações da programação preliminar ilustram estes aspectos:
Planejamos que a conferência principal do evento será proferida pelo Rodrigo Costas, doutor em Biblioteconomia e Ciência da Informação (Library and Information Science) pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (Consejo Superior de Investigaciones Científicas – CSIC) da Espanha e atualmente pesquisador do CWTS (Centre for Science and Technology Studies, da Leiden University, Holanda – um dos mais antigos centros especializados em Estudos Quantitativos da Ciência, fundado na década de 80), com o título “Infraestrutura para consolidação de grupos de pesquisa especializados em métodos quantitativos para estudo e avaliação da atividade científica”. Tal escolha tem o objetivo de apresentar aos brasileiros aspectos importantes observados em grupos consolidados em outros países, no que diz respeito, tanto à infraestrutura (recursos humanos, tecnologia) quanto ao acesso aos dados.

Por esta razão, outro convidado, também bibliotecário com longa e reconhecida atuação nestas especialidades, é o Dr. Rubén Urbizagástegui Alvarado (Universidade da Califórnia – Riverside, Estados Unidos), que proferirá a palestra “Panorama da pesquisa em Bibliometria/Cientometria no Brasil e América Latina” e o workshop “As leis bibliométricas e sua importância nos estudos contemporâneos”.
No que diz respeito ao acesso aos dados, foi proposta uma mesa com representante das bases SciELO, Scopus e Web of Science, intitulada “Fontes de informação e seu papel no provimento de dados a pesquisadores especialistas em estudos Bibliométricos/Cientométricos”.

SIBiUSP: Em sua opinião, qual (ou quais) seria(m) o(s ) maior(es) desafio(s) dos estudos métricos da informação?

Rogerio Mugnaini: Para os brasileiros: ACESSO AOS DADOS!


Sobre o EEBC

5º Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria – Universidade de São Paulo
Local: Prédio Central da Escola de Comunicações e Artes (ECA), Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo-SP.
Período: 06 a 08 de julho de 2016.
Site do evento: http://www2.eca.usp.br/ebbc/